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06.06.2018 CRÔNICAS DE ALEXANDRE FERNANDES Publicado em: 6/6/2018
  • Categoria: JUNHO

06.06.2018

 

CRÔNICAS DE ALEXANDRE FERNANDES

 

Que vergonha! Aniquilaram os nossos nativos

 

Quando eu era um menino sonhador e ativo, estudava em uma escola católica – natural na época – e me lembro que nas aulas de história e geografia, estudávamos sobre Rondônia e das riquezas do Rio Madeira. Eram uma das aulas preferida, pois era possível viajar sem sair do lugar. Bons tempos em que éramos todos inocentes e tudo era novidade.

 

E por ironia do destino, resolvi me aventurar nesta terra abençoada e ainda cheio de história e desbravamentos. Uma terra que em seus 40 anos se emancipou politicamente em 11 de outubro de 1977, deixou de ser território federal brasileiro, para ser de fato o estado de Rondônia. Na primeira oportunidade, fui conhecer a capital Porto Velho e o Rio Madeira. A sensação que tive ao me aproximar desta histórica capital foi realmente indescritível.  E também tive a oportunidade de conhecer pioneiros que vieram na época em que malária era o prato do dia e da noite. Era tão natural adoecer de malária que mal curava de uma já estava se tratando de outra.

 

Quando já havia me estabelecido em Ariquemes, fiz questão de conhecer o museu Rondon na Vila Marechal Rondon onde tudo começou. Lá conheci o poste de telégrafo que permanece no mesmo local. A antiga cadeia, moradores antigos e até o prédio onde o ex-governador de Rondônia, Confúcio Aires Moura, fazia os atendimentos médicos. Uma vila que se dá a impressão que o tempo não passou.

 

Ao adentrar no Museu Rondon, tive a grande oportunidade de conhecer um pouco mais da história deste município pujante. Um passado de glorias e de saudades, um passado de luta e de fantasmas por deixar rastros de vergonha em nome do progresso. A vergonha das derrubadas de árvores centenárias como as que visualmente estão em quadro que registram todo o passado, ladeadas por pioneiros que as ostentavam como um troféu. Mas tudo se justifica em nome do progresso.

 

Mas um outro aspecto deste progresso me chamou mais ainda a atenção, também estava no quadro das memórias, personagens ao lados de nativos da tribo indígena Arikemes. Uma tribo que na época da exploração das terras, existia uma comunidade de aproximadamente 600 indígenas e que aos poucos foram aniquiladas sobre o domínio do homem. Uma história contada pelo historiador Washington Heleno Cavalcante, mestre em história e estudos culturais pela Universidade Federal de Rondônia (Unir).

 

E se pararmos para pensar, não somos tão diferentes dos extintos nativos, também convivemos sobre o domínio do progresso, do desmatamento, da exploração e da violência. Muitos de nós já tivemos a oportunidade de assistir filmes americanos, onde o homem branco e o índio fumavam o cachimbo da paz. Hoje, se falar em cachimbo, é capaz de oferecer um cachimbo com pedra de crak. Que vergonha!

 

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